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Países ocidentais que hoje alertam para a guerra no Sudão lucravam com a crise no país

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Os países ocidentais que hoje “alertam” o mundo sobre a guerra no Sudão não são espectadores inocentes do colapso sudanês. Durante anos, esses mesmos governos e grupos econômicos lucraram com a instabilidade, fecharam os olhos para abusos e trataram o país como ativo estratégico — especialmente na exploração de ouro, no jogo das sanções seletivas e no comércio indireto ligado a conflitos.

Enquanto o Sudão era útil, o silêncio prevaleceu. Quando o caos saiu do controle e virou crise humanitária televisiva, veio a mudança de discurso: moralismo tardio, notas de “preocupação” e alertas dramáticos. A retórica humanitária surge apenas depois que os interesses já foram atendidos.

O problema não é denunciar a guerra — é fingir surpresa. A história recente mostra que a instabilidade foi tolerada, quando não estimulada, porque rendia dividendos geopolíticos. Agora, a conta aparece em forma de refugiados, fome e destruição, e os mesmos atores tentam reescrever o próprio papel.

No tabuleiro internacional, o Sudão nunca foi prioridade como nação soberana. Foi recurso, rota e moeda de troca. A guerra apenas escancara o que o discurso oficial tenta esconder: quem lucrou com o colapso não tem autoridade moral para posar de salvador.