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Até quando Campo Grande vai ficar refém do Consórcio Guaicurus?

A Prefeitura diz que está tudo em dia com repasses. Mesmo assim, o Consórcio não pagou integralmente salários e 13º — e quem apanha é o trabalhador e o usuário.

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A greve dos motoristas em Campo Grande não começou por “capricho”. Começou porque salário não caiu como deveria: há relatos de não pagamento integral dos vencimentos de novembro e do 13º, e a categoria condicionou a volta ao trabalho à quitação.

E aqui está o ponto que precisa ser martelado sem rodeios: a própria Prefeitura afirma que repassou o que devia e chegou a dizer que “está tudo pago”, chamando o movimento de abusivo/ilegal por ser serviço essencial. Se o poder público diz que cumpriu sua parte, então sobra uma pergunta óbvia — e incômoda:

por que o Consórcio Guaicurus consegue travar a cidade e ainda assim não consegue honrar a folha?

O “contrato bilionário” que virou castigo diário

O Guaicurus opera uma concessão que não é pequena: o Contrato de Concessão nº 330, de 25/10/2012, tem prazo de 20 anos (prorrogáveis por mais 10) e valor total estimado em R$ 3,441 bilhões.
Isso deveria significar estabilidade, frota decente, previsibilidade. Mas o que Campo Grande vê, ano após ano, é um sistema que funciona como monopólio de fato: quando dá problema, a população fica refém.

E não é “opinião de internet”. A própria CPI da Câmara registrou sucateamento da frota e apontou que a operação tinha idade média de 8,598 anos, acima do parâmetro de 5 anos previsto como exigência (idade média máxima) no contrato/termo de referência.

O Consórcio erra — e a cidade paga duas vezes

O que revolta é a lógica invertida:

  • O trabalhador fica sem salário (e é ele que segura a operação no braço).
  • O usuário fica sem ônibus (e perde consulta, trabalho, prova, vida).
  • E, no meio do caos, a Justiça do Trabalho tem que entrar para impor o mínimo: 70% dos trabalhadores em atividade, sob multa diária de R$ 20 mil, reconhecendo o direito de greve, mas lembrando que transporte é serviço essencial.

Ou seja: o Consórcio falha, e Campo Grande paga com desorganização, perda de renda e humilhação pública.

E os vereadores? CPI teve. Resultado prático… cadê?

A Câmara até fez CPI, produziu relatório, listou problemas e números.
Mas o campo-grandense olha para o ponto de ônibus hoje e conclui: deu em pizza.

Porque CPI que não vira consequência real — metas exigidas, punição efetiva, cobrança permanente, transparência do sistema e pressão política contínua — vira só isso: um PDF robusto e uma cidade frágil.

A verdade nua: enquanto o Consórcio mandar, Campo Grande obedece

Se a Prefeitura sustenta que os repasses estão em dia, então o recado precisa ser duro e direto: não dá para aceitar que um concessionário bilionário trate folha de pagamento como “opcional” e trate o usuário como “detalhe”.

Campo Grande não precisa de mais nota, mais reunião e mais teatrinho. Precisa de uma virada simples:

o Consórcio cumpre o contrato e respeita trabalhador e usuário — ou a cidade precisa parar de ser refém de quem não entrega o básico.