O caso da decisão judicial contra o humorista brasileiro Leo Lins repercutiu na imprensa internacional. Colunista da publicação portuguesa Jornal de Notícias, Cátia Domingues questionou se decisões contra comediantes devem ser consideradas normais em países democráticos.
“É realmente grave e preocupante sabermos que há um tribunal a proibir piadas e que não é no Afeganistão”, escreveu a colunista do jornal português, ao mencionar o país asiático, que é comandado pelo grupo terrorista Talibã. “Mas no país do MC Taliban, autor do hit ‘Cachaça, pinga e put*’”, continuou Cátia, que é humorista, ao citar o que é considerado cultura no Brasil — como o funk que faz alusão ao consumo de bebidas alcoólicas e atos de libertinagem sexual.
No texto, publicado no último fim de semana, a articulista portuguesa lamenta o fato de a Justiça brasileira ter determinado que o YouTube excluísse da rede o vídeo divulgado por Lins e que mostrava a íntegra de um de seus shows, além de proibir futuras divulgações de material considerado “depreciativo ou humilhante para qualquer categoria considerada minoria ou vulnerável”.
“No caso do humorista brasileiro Leo Lins, foram proibidos conteúdos em razão da ‘raça, cor, etnia, religião, cultura, origem, procedência nacional ou regional, orientação sexual ou de género, condição de pessoa com deficiência ou idosa, crianças, adolescentes e mulheres’”, escreveu Cátia. “Pronto, mas nem tudo é mau. Ainda podemos fazer piadas sobre eletrodomésticos, mas eu pessoalmente não arrisco, porque o meu aspirador é da Xiaomi”, ironizou a colunista do Jornal de Notícias.
A censura contra Leo Lins

A censura contra o humorista Leo Lins foi tornada pública na última semana, a partir de decisão da juíza Gina Fonseca Correa, da primeira instância da Justiça Estadual de São Paulo, que acatou pedido formulado pelo Ministério Público. Além de determinar a exclusão de vídeo do canal do comediante do YouTube e registrar quais tipos de conteúdos ele não poderia mais divulgar, a magistrada aplicou multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, além de impedir que o humorista deixe a capital paulista por mais de dez dias sem a devida autorização judicial.
Pelas redes sociais, Lins criticou a decisão judicial. Em postagem no domingo 21, ele levantou a hipótese de que um “estatuto do humor” ser criado no Brasil.
