A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (25) uma série de requerimentos que incluem a convocação dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli — José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli —, além da quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do Banco Master, da Maridt Participações e da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
A Maridt, da qual Toffoli e seus irmãos são sócios, integrou o grupo responsável pelo resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). A empresa iniciou em 2021 a venda de sua participação no empreendimento, que agora está no centro das investigações da CPI.
Conexões investigadas
O relator da comissão, senador Alessandro Vieira, justificou a convocação dos irmãos do ministro com base em indícios de conexão entre eles, o empresário Mario Degani e a Reag Trust — antiga denominação da CBSF — por meio de participações no resort paranaense.
“A intermediação de negócios envolvendo o Arleen, administrado pela CBSF (antiga Reag Trust), traz o tema para o centro do escopo da CPI. A Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou relações de lavagem de dinheiro com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)”, afirmou o relator em seu requerimento.
Vieira acrescentou que, segundo informações, “o fundo Arleen tinha como único cotista o cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master”. O parlamentar também mencionou a “existência de um cassino com mesas de blackjack e apostas em dinheiro no resort”, o que poderia configurar contravenção penal.
Convocados e investigados
Além dos irmãos de Toffoli, a CPI aprovou a convocação de:
- Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
- Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master
- Fabiano Campos Zettel
- João Carlos Falbo Mansur, fundador e ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos
- Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master
- Alberto Félix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master
- Luiz Antônio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do Banco Master
- Paulo Henrique Costa, presidente afastado do Banco de Brasília (BRB)
A comissão também aprovou convites para ouvir os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes.
Toffoli e o caso Master
O ministro Dias Toffoli era relator do caso envolvendo o Banco Master no STF até o último dia 12 de fevereiro, quando deixou a relatoria, que atualmente está sob responsabilidade do ministro André Mendonça. As medidas tomadas por Toffoli durante sua atuação no inquérito têm sido alvo de questionamentos nos meios político e jurídico.
Depoimento adiado
Estava prevista para esta quarta-feira a oitiva do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. O ex-parlamentar, preso em setembro do ano passado sob acusação de ligações com o Comando Vermelho, não pôde ser ouvido conforme programado.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), explicou que o depoimento foi adiado porque o STF não autorizou em tempo hábil o deslocamento do detido. “A CPI oficiou ao ministro desse caso, Alexandre de Moraes, e ainda não obtivemos resposta. Por esta razão não teremos a parte da oitiva do senhor Thiego”, justificou.
A prisão de TH Joias, em setembro do ano passado, também resultou na detenção do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, suspeito de ter vazado o mandado de prisão que ele mesmo havia expedido contra o ex-parlamentar.

