A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, nesta quinta-feira (26/2), a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O período a ser investigado compreende 1º de janeiro de 2022 a 31 de janeiro de 2026. A sessão foi suspensa durante o intervalo.
Após a aprovação dos requerimentos, integrantes da base governista no Congresso dirigiram-se à mesa da presidência do colegiado, gerando um tumulto generalizado. Houve gritos, troca de ofensas e agressões físicas, o que levou à suspensão dos trabalhos por 15 minutos.
Imagens registraram o empurra-empurra envolvendo os deputados Rogério Correia (PT) e Luiz Lima (Novo). Lima acusou Correia de desferir um soco contra ele. O parlamentar do PT admitiu a agressão e pediu desculpas publicamente ao colega. Assista:
O Requerimento nº 2.939/2026 foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL).
De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles, na coluna de Andreza Matais, Lulinha teria recebido uma mesada de aproximadamente R$ 300 mil paga por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A denúncia consta no depoimento de uma testemunha ouvida pela Polícia Federal, posteriormente encaminhado à CPMI. A acusação partiu de Edson Claro, ex-funcionário de Antunes, que afirma sofrer perseguição por parte do ex-empregador.
Em seu depoimento, Edson Claro afirmou que o empresário conhecido como Careca do INSS teria realizado um pagamento de R$ 25 milhões a Fábio Luís, além de repassar uma mesada de cerca de R$ 300 mil. O depoimento, contudo, não especifica a moeda utilizada na suposta transação de R$ 25 milhões.
Ainda segundo a coluna de Andreza Matais, Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador do INSS, e André Fidelis, ex-diretor de Benefícios da autarquia, preparam uma delação premiada para revelar a participação de Lulinha nos descontos indevidos promovidos no instituto.
Em nota à coluna, a defesa do filho do presidente afirmou que ele “não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”. É a primeira vez que Lulinha se manifesta sobre o tema por meio de seus advogados.
Assessor de Weverton Rocha é convocado
A CPMI também aprovou a convocação de Gustavo Marques Gaspar, empresário e ex-assessor do senador e vice-líder do Governo no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), para prestar depoimento na condição de testemunha. O requerimento foi apresentado pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT).
O senador foi alvo de uma das fases da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de novembro, com buscas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigações apontam que Weverton compartilhou o uso de um jatinho com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A aeronave, um beech aircraft modelo F90 de prefixo PT-LPL, foi utilizada pelo menos duas vezes por Antunes em 2024, conforme documentos obtidos pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles. As viagens ocorreram em 2 de fevereiro e 13 de julho, ambas partindo de um aeroporto executivo em São Paulo.
Em 2025, o Metrópoles flagrou o senador Weverton utilizando a mesma aeronave em deslocamentos de ida e volta a São Luís, no Maranhão. O político foi fotografado descendo do jatinho nos dias 1º e 15 deste mês, no Aeroporto Internacional de Brasília. Desde o início de 2024, a maior parte dos voos da aeronave tem sido entre Brasília, São Paulo e São Luís.

