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Deputado Gilvan da Federal chama comandante do Exército de “general de merda” após prisão de generais

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O deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) publicou, nesta terça-feira (25), um vídeo em suas redes sociais em que faz duros ataques ao comandante do Exército, general Tomás Paiva, depois da prisão dos generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira para cumprimento de pena no caso da tentativa de golpe de Estado.

No vídeo, divulgado no X e replicado em outras plataformas, o parlamentar acusa o comandante do Exército de omissão e de cumplicidade com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em tom exaltado, Gilvan afirma ter “vergonha de ter um comandante do Exército como o general Tomás Paiva” e o chama de “omisso, covarde, cúmplice” e “general de merda”.

Gilvan relaciona as críticas diretamente à prisão de oficiais de alta patente ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, foi condenado a 21 anos de prisão, e Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército, a 19 anos, ambos no âmbito da Ação Penal 2668, que julgou a trama golpista. O STF determinou o início da execução das penas, e os dois foram levados ao Comando Militar do Planalto, em Brasília, para cumprir a condenação.

Na gravação, o deputado afirma que Heleno foi preso “injustamente” e critica o fato de a Polícia Federal participar do cumprimento das decisões judiciais. Segundo ele, “no mínimo, no mínimo, quem deveria conduzi-lo é a Polícia do Exército, não a Polícia Federal. A Polícia Federal não deveria tocar em um general do Exército”. Em outro momento, o parlamentar compara a suposta omissão do comandante a um pai que vê o próprio filho furtando em supermercado e nada faz, insistindo que “quem se omite é cúmplice”.

Gilvan também acusa Tomás Paiva de ser “cúmplice do ditador Alexandre de Moraes” e questiona a capacidade do comandante de liderar o Exército em caso de conflito externo: “Como é que um comandante do Exército vai proteger o Brasil de uma guerra se ele tem medo de um único homem?”, diz. As falas se inserem num ambiente de forte reação de parte da direita às decisões do STF e às prisões de militares e do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja condenação por tentativa de golpe também transitou em julgado.

Apresentando-se como policial federal há mais de 20 anos, o deputado diz discordar “de tudo” que a Polícia Federal vem fazendo “com esse diretor-geral petista Andrei Rodrigues” e volta a acusar o comando do Exército de se alinhar a uma “ditadura” no país. Gilvan da Federal é agente da PF licenciado e cumpre mandato de deputado federal pelo Espírito Santo desde 2023.

Até a última atualização deste texto, não havia registro de manifestação pública do general Tomás Paiva ou do Comando do Exército especificamente sobre as declarações do parlamentar. A atuação do Alto-Comando nas prisões, porém, já vinha sendo descrita por veículos de imprensa como resultado de um acordo entre a cúpula militar, o ministro Alexandre de Moraes e a Polícia Federal, justamente para que os generais condenados fossem conduzidos por oficiais do próprio Exército e recolhidos em instalações militares, reduzindo a exposição pública dos militares envolvidos