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Eduardo e Flávio Bolsonaro visitam El Salvador

Parlamentares se reúnem com ministro da Segurança para conhecer o modelo adotado por El Salvador.

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Os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro visitaram El Salvador nesta semana para uma série de agendas sobre segurança pública.

O senador e o deputado desembarcaram em São Salvador, capital do país,  na segunda-feira (17) e buscavam uma reunião com o presidente Nayib Bukele.

Nesta terça-feira (18/11), os dois se reuniram com o ministro da Segurança salvadorenho, Gustavo Villatoro.

No cargo desde 2021, Villatoro tem sido o responsável por receber autoridades brasileiras interessadas em conhecer o modelo de segurança implementado por Bukele. Na semana passada, ele também recebeu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

De acordo com Eduardo Bolsonaro, Villatoro detalhou como El Salvador deixou de registrar alguns dos maiores índices de violência do mundo para alcançar o posto de país “mais seguro do hemisfério ocidental”.

O deputado afirmou que o chamado “milagre Bukele” se baseia em três pilares:

  • rompimento com sistemas que protegiam o crime;
  • leis duras contra facções;
  • controle territorial massivo.

Eduardo declarou que pretende levar essas referências ao debate brasileiro: “É possível recuperar o nosso país do domínio das facções. Basta vontade política, coragem e leis que funcionem.” Ele destacou ainda que “o Brasil tem muito a aprender com El Salvador”.

Flávio Bolsonaro viajou em missão oficial como presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado. De acordo com o senador, a agenda faz parte de uma avaliação sobre medidas de combate à criminalidade.

Em suas redes sociais, divulgou vídeo do encontro com Villatoro e escreveu: “A experiência salvadorenha prova que é possível derrotar a criminalidade. O Brasil tem jeito.”

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O modelo de Bukele de segurança

estratégia de Bukele ganhou força em março de 2022, quando uma onda de violência deixou 87 mortos em três dias.

O presidente decretou estado de emergência, suspendendo garantias constitucionais como acesso imediato a advogado e limites para detenções. Desde então, mais de 80 mil pessoas foram presas.

A construção do presídio Cecot, inaugurado em 2023 e projetado para abrigar até 40 mil detentos, tornou-se símbolo da política. As medidas, porém, motivaram críticas de entidades internacionais.

A Human Rights Watch denunciou detenções arbitrárias, torturas, desaparecimentos e mortes sob custódia policial.

Em 2023, o jornal O Globo classificou Bukele como “exemplo antidemocrático” e mencionou a expressão “autoritarismo digital” para descrever seu estilo de governo.

Bukele rebateu as críticas e afirmou que jornalistas deveriam ouvir diretamente a população: “Perguntem aos salvadorenhos se vivemos em uma ditadura. Não levem em conta o que eu digo, mas o que a população pensa.”

Apesar das controvérsias, o governo Trump elogiou os resultados, e os Estados Unidos chegaram a firmar acordos para enviar criminosos a prisões salvadorenhas.

A mudança transformou o país de “capital mundial do homicídio” em referência regional, embora siga dividindo opiniões sobre os impactos humanos dessa política.