A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou nesta quinta-feira (26) o Projeto de Lei nº 11.636/2025, conhecido como “Ar no Busão”, que determina a obrigatoriedade de ar-condicionado em todos os novos ônibus que passarem a integrar o sistema de transporte coletivo da capital sul-mato-grossense.
De autoria do vereador Landmark Rios (PT), a proposta foi bem recebida entre os parlamentares e passou com folga: foram 21 votos favoráveis e apenas 3 contrários. Um dos votos contra, no entanto, chamou atenção e gerou repercussão imediata nas redes sociais e entre eleitores: o do ex-prefeito e atual vereador Marquinhos Trad (PDT).
A polêmica gira em torno de uma promessa de campanha feita por Marquinhos em 2016, quando foi eleito prefeito de Campo Grande. À época, ele defendia enfaticamente a climatização da frota como um compromisso com a qualidade de vida dos usuários do transporte coletivo.
“Não tem desculpa, transporte coletivo é responsabilidade do prefeito e eu quero ser lembrado como o prefeito que colocou a tecnologia GPS para funcionar. Você vai saber onde cada ônibus está com o programa no seu celular. Quero ser lembrado também como o prefeito que renovou a frota e colocou ar-condicionado nos ônibus. Porque ninguém aguenta esse calor intenso que faz aqui dentro”, declarou durante a campanha de 2016.
Marquinhos justificou o voto contrário afirmando que o projeto seria inconstitucional. Ele também declarou recentemente, durante a CPI do Transporte Público, que ao assumir a prefeitura em 2017 percebeu que não seria possível cumprir a promessa de climatizar a frota, feita durante sua campanha. O mesmo entendimento foi manifestado durante a sessão pelo vereador Otávio Trad (PSD), que também votou contra. O terceiro voto contrário foi do vereador Delei (PSD).
Já o autor do projeto, Landmark Rios, comemorou a aprovação e destacou que a medida é um avanço necessário para o transporte público da capital.
“Campo Grande é uma cidade quente o ano todo. É uma questão de dignidade para os passageiros que enfrentam ônibus lotados e mal ventilados diariamente”, afirmou.
Com a aprovação, o projeto segue para sanção ou veto do prefeito Adriane Lopes (PP). Caso seja sancionado, a lei valerá apenas para os ônibus novos que entrarem na frota, o que pode representar uma mudança gradual no sistema de transporte, mas significativa para o conforto dos usuários.

