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Em 1979, fazendeiro ainda açoitava trabalhadores em MS

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Tempos das cavernas – Na semana passada, notícia de que a cada 6 dias um trabalhador é resgatado por trabalhar como escravo em fazendas de Mato Grosso do Sul, chocou pela frequência de casos em pleno 2023. A avaliação da maioria é que a situação não muda. Mas, por incrível que pareça, a coisa já foi bem pior aqui no Estado e muito depois da abolição.

Porteira do inferno – Reportagem do Jornal O Globo, de 1979, mostrou o caso de Rosa de Araújo que, corajosa, conseguiu fugir da fazenda Morro Limpo, percorrer 120 quilômetros até Campo Grande e denunciar que os trabalhadores eram açoitados, quando não cumpriam metas de produção ou se mostravam desobedientes.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta semana uma nova atualização do cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, a chamada “lista suja”, onde constam 18 empregadores de Mato Grosso do Sul.

Em todo o Brasil, foram incluídos 132 novos empregadores na lista, entre pessoas físicas e jurídicas.

Em Mato Grosso do Sul, a maioria dos locais onde houve flagrantes de uso de mão de obra em situação de escravidão são fazendas, sendo apenas um flagrante não ligado a atividade rural, mas em uma obra de construção.

Na lista, constam empresas onde já houve decisões que não cabem mais recurso de casos de trabalho escravo identificados pela Inspeção do Trabalho entre os anos de 2018 e 2022.

No Estado, seis nomes foram incluídos, enquanto outros 13 já constavam e permaneceram.

Nos locais, 187 trabalhadores eram mantidos em condições análogas à escravidão.