No dia 16 de setembro, o Correio do Estado deu início à série de entrevistas com os candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul, como ocorre tradicionalmente em todos os anos eleitorais.
Abaixo, você confere um resumo sobre afirmações que poderiam ser falsas, enganosas ou verdadeiras, realizadas por Rose Modesto (União Brasil), quinta entrevistada.
As entrevistas são realizadas pela jornalista Laureane Schmidt, com duração de 25 minutos para o candidato responder às questões realizadas, com transmissão ao vivo pelas mídias sociais Facebook (Correio do Estado), Instagram (@correioestado) e YouTube (www.youtube.com/CorreioEstado).
As perguntas são realizadas de forma democrática para todos os candidatos, distribuídas da seguinte forma:
- 1 pergunta para o candidato se apresentar;
- 4 perguntas de temas livres com base em reportagens já publicadas pelo Correio do Estado;
- 2 perguntas que serão iguais para todos os candidatos;
- 2 perguntas relacionadas ao plano de governo;
- 4 perguntas que são sorteadas, ao vivo, pelo próprio candidato.
Separamos, a seguir, tópicos a partir de afirmações realizadas pelo candidato ao longo da entrevista, as quais foram verificadas com base em informações oficiais.
“MS é o 2º maior exportador de carne”: falso
- Rose Modesto: “Bom, primeiro dizer que Mato Grosso do Sul é um estado tão rico. O 5º maior produtor de alimentos, o 2º exportador de carnes, mas tem aqui ainda 21% da população sobrevivendo com menos de ½ salário mínimo”.
Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, Mato Grosso do Sul ficou na 4ª posição no ranking de exportações de carne em 2022.
De acordo com os dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a carne sul-mato-grossense possui, inclusive, o preço mais baixo em comparação com os demais estados concorrentes.
“21% da população recebe ½ salário mínimo”: verdadeiro
- Rose Modesto: “Bom, primeiro dizer que Mato Grosso do Sul é um estado tão rico. O 5º maior produtor de alimentos, o 2º exportador de carnes, mas tem aqui ainda 21% da população sobrevivendo com menos de ½ salário mínimo”.
Segundo o levantamento da Síntese de Indicadores Sociais de 2020, em última pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no estado de Mato Grosso do Sul, 16,5% da população ganhava de ¼ até ½ salário mínimo, enquanto 21% ganhava de zero até ½ salário mínimo.
Logo, o estudo do IBGE mostra que esse percentual da população sul-mato-grossense com menos de um salário vive com cerca de R$ 550 por mês.
Professores contratados ganham metade do recebido por concursados: verdadeiro
- Rose Modesto: “Qualidade de educação começa com a valorização dos profissionais. É inadmissível o estado pagar quase que metade de um salário de um concursado para um contratado. Em outubro agora um professor concursado vai receber mais de 10 mil reais por 40 horas e um professor contratado pouco mais de 5 mil.” (21 min.)
É verdadeira a afirmação de que professores contratados recebem metade do salário pago a professores concursados.
Conforme os valores salariais sugeridos no último Processo Seletivo Simplificado, de 2021, destinado à contração, foi oferecido o salário de R$ 4.100 para professores com habilitação específica de Nível Superior, que cumpririam 40 horas semanais.
Enquanto isso, no último concurso realizado pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, em 2022, foi determinado o salário de R$ 4.190,82 para professor com habilitação específica de Nível Superior, com cumprimentos de 20 horas semanais.
Esses valores costumam mudar conforme acontecem os adicionais por tempo de serviço, partindo desses valores estipulados em concurso e processo seletivo.
“MS com maior índice de abandono no Ensino Médio durante a pandemia”: falso
- Rose Modesto: “Mato Grosso do Sul teve o maior índice de abandono no Ensino Médio durante a pandemia.” (19:34 min.)
Segundo informações disponibilizadas no QEdu com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), a taxa de rendimento por etapa escolar em Mato Grosso do Sul, com relação ao abandono no Ensino Médio, chegou a 0,6% em 2020, com 580 abandonos. Já em 2021, esse índice for de 1,4%, o equivalente a 1.391 abandonos.
O Correio Verifica reuniu os dados de todos os 26 estados e o Distrito Federal que apontam números de abandono entre 2020 e 2021. Os dados estão disponibilizados em ordem decrescente.
TABELA TAXAS DE RENDIMENTO SOMADOS DOS ABANDONOS ENTRE 2020 A 2021 :
(FONTE: http://cdn.novo.qedu.org.br/brasil)
| ESTADO | ABANDONO NO ENSINO MÉDIO (soma 2020 e 2021) |
| Minas Gerais | 74527 |
| Bahia | 70632 |
| Pará | 63089 |
| São Paulo | 58893 |
| Rio Grande do Sul | 50750 |
| Maranhão | 32037 |
| Santa Catarina | 27263 |
| Rio Grande do Norte | 20317 |
| Paraná | 15762 |
| Ceará | 15220 |
| Rio de Janeiro | 12880 |
| Amazonas | 11948 |
| Piauí | 11454 |
| Alagoas | 10015 |
| Mato Grosso | 8832 |
| Paraíba | 7427 |
| Goiás | 7359 |
| Pernambuco | 5361 |
| Espírito Santo | 5127 |
| Rondônia | 4756 |
| Tocantins | 4737 |
| Sergipe | 4116 |
| Amapá | 3300 |
| Acre | 3356 |
| Mato Grosso do Sul | 1971 |
| Distrito Federal | 1869 |
| Roraima | 1466 |
É possível concluir que Mato Grosso do Sul ocupou a 25ª posição entre os estados com maior número de evasão escolar no ensino médio, ou seja, é um dos estados com a menor evasão.
Os três estados que lideram a taxa de abandono são Minas Gerais, Bahia e Pará.
“4º ano que MS não alcança a média que o IDEB e ainda diminui”: enganoso
- Rose Modesto: “Infelizmente é o 4º ano que Mato Grosso do Sul não alcança a nota, a média que o IDEB determina para o Mato Grosso do Sul e agora foi pior, porque diminuiu”.
De acordo com o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), definido pelo Ministério da Educação, a meta é que em 2022 o Ideb do Brasil seja 6,0.
Tal média desdobra-se de maneiras diferentes para as redes pública e privada. Além disso, a meta estipulada pode ser diferente conforme o nível do ensino.
Por exemplo, em 2021, a meta dos anos iniciais do ensino fundamental era 6; dos anos finais do ensino fundamental era 5,5; enquanto do ensino médio era 5,2.
A afirmação de Rose é parcialmente verdadeira, pois o Estado não tem alcançado a meta nacional. Entretanto, diferentemente de parte da afirmação, o Ideb do Estado não diminuiu no último ano, pelo contrário, aumentou. Confira abaixo:

– IDEB 2021, Inep
A pesquisa do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é calculada com base no aprendizado dos alunos em português e matemática (Prova Brasil) e no fluxo escolar (taxa de aprovação).
Os dados são coletados todos os anos e divulgados a cada dois anos. Veja, logo abaixo, o IDEB de todas as classes do ensino fundamental e médio nas escolas estaduais, durante os últimos anos:
2018-2019
| Classe escolar | Nota atingida | Meta |
| 1° ao 5° Ensino Fundamental | 5,7 | 5,2 |
| 5° ao 9° Ensino Fundamental | 4,6 | 4,7 |
| Ensino médio | 4,1 | 4,6 |
2020-2021
| Classe escolar | Nota atingida | Meta |
| 1° ao 5° ensino fundamental | 5,2 | 5,5 |
| 5° ao 9° ensino fundamental | 4,7 | 5 |
| Ensino médio | 3,7 | 4,7 |
1 bilhão e oitocentos milhões de superávit em MS, em 2021: verdadeiro
- Rose Modesto: “Em 2020, teve um superávit do governo sobra de dinheiro em caixa, de R$ 1 bilhão, receita líquida que se arrecadou, despesas pagas, sobrou 1 bi em caixa para fazer investimentos. […] 2021, R$ 1 bilhão e oitocentos milhões de superávit, novamente”.
Dados do Boletim Observatório Econômico mostram que a afirmação da candidata está correta.
Em 2021, foi registrado um superávit de R$ 1.952.045.200 em Mato Grosso do Sul, número próximo dos R$ bilhões, bem como da afirmação feita por Rose ao Correio do Estado.
“Nós temos 90 mil sul-mato-grossenses desempregados”: falso
- Rose Modesto: “O Mato Grosso do Sul é um dos estados que mais gera emprego, porém, todavia, nós temos 90 mil sul-mato-grossenses desempregados.” (11 min.)
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), neste segundo trimestre de 2022, o número de desempregados chegou a 75 mil (5,2%). Se comparar ao trimestre anterior, quando foi registrado 6,5%, houve queda de 1.3 ponto percentual.
“Mais de 5 a 6 mil homens e mulheres em todas as nossas polícias”: falso
- Rose Modesto: “O MS mais seguro passa primeiro a gente tendo que abrir concurso para aumentar o efetivo da polícia, porque a polícia, os últimos policiais que assumiram o concurso foi só para repor aqueles que aposentaram que foram para a reserva. Hoje a nossa polícia precisa, precisaria pelo menos, mais de 5 a 6 mil homens e mulheres em todas as nossas polícias”.
A afirmação da candidata é falsa. Conforme o comandante da polícia militar do estado de Mato Grosso do Sul, coronel Waldir Acosta, em entrevista à CBN de Campo Grande (em 2020, data do último levantamento), o déficit dos profissionais da segurança pública era de 3 mil servidores.
Essa informação já foi verificada em outra checagem de sabatina, na qual o Correio do Estado realizou uma série de entrevistas com os candidatos ao governo de MS.
Levando em conta esse déficit de aproximadamente 3 mil homens, tanto a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) quanto a própria Polícia Militar foram procuradas – mais recente – para comentar o atual efetivo da corporação, e até o fechamento da matéria não encaminharam resposta.
Em nota, o Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul confirmou o déficit. Pontuaram ainda que, o cenário ideal para o efetivo da PC em MS, completando o número de servidores, é em torno de 1 mil vagas.
Além disso, em entrevista ao Correio Verifica, o presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de MS, André Santiago, apontou que o déficit entre as polícias penais gira em torno de 3.900.
Segundo o presidente do Sinsap-MS, Mato Grosso do Sul conta com uma massa carcerária de 22.500 detentos, 2.100 servidores ativos, numa escala de 24/72, sendo que o correto é que cada agente fique designado para cada 15 detentos.
Com informações Correio do Estado
