Search

Ex-ministro de Dilma quis Master no Minha Casa, Minha Vida

Compartilhe nas redes sociais

Ricardo Leyser Gonçalves, ex-ministro do governo Dilma Rousseff (PT), atuou para viabilizar a entrada do Banco Master no programa Minha Casa, Minha Vida por meio de um modelo que permitiria a atuação de instituições privadas sem qualquer subordinação administrativa ou financeira com a Caixa Econômica. A informação foi revelada nesta quinta-feira (29), pela coluna de Paulo Cappelli, do site Metrópoles.

A proposta foi apresentada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em reuniões e formalizada em um ofício encaminhado, em março de 2024, ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho.

No documento, com 16 páginas, Leyser se apresenta como diretor da VBG Engenharia e Empreendimentos e afirma que a empresa desenvolveu instrumentos operacionais voltados ao Minha Casa, Minha Vida em parceria com o Banco Master, o Banco Digimais e o Banco Genial. Segundo o ex-ministro, o modelo foi debatido em encontros realizados em 23 estados, que teriam reunido mais de 1,2 mil gestores municipais.

A proposta previa a participação de bancos privados na construção de moradias em municípios com até 80 mil habitantes. Nesse formato, as instituições financeiras receberiam recursos da União e ficariam responsáveis por contratar construtoras para executar as obras, assumindo os riscos das contratações.

Ao defender a iniciativa, Leyser sustentou que a chamada modalidade de Oferta Pública poderia acelerar a execução do Novo Minha Casa, Minha Vida justamente por envolver instituições privadas, que, segundo ele, teriam estruturas mais enxutas, com grande capacidade operacional e flexibilidade.

No ofício, o ex-ministro argumentou que submeter os bancos privados a qualquer tipo de dependência administrativa ou financeira da Caixa inviabilizaria a participação dessas instituições no programa. Para Leyser, a própria concepção da modalidade prevista em lei buscaria criar uma capacidade de execução paralela à da Caixa, sem o objetivo de substituí-la ou concorrer diretamente com o banco público.

Integrantes do governo que acompanharam as tratativas relataram que Leyser atuou de forma insistente para a realização das reuniões sobre o tema. Apesar disso, a proposta não avançou, principalmente por falta de regulamentação da modalidade.

Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, em meio à apuração de fraudes estimadas em R$ 12,7 bilhões.

Procurado pela coluna de Cappelli, o Ministério das Cidades informou que representantes da Secretaria Nacional de Habitação receberam Ricardo Leyser, na condição de representante da VBG, para tratar da modalidade Minha Casa, Minha Vida – Oferta Pública Sub-80. A pasta ressaltou, no entanto, que essa modalidade nunca foi regulamentada e não conta com dotação orçamentária para funcionamento.