Moradores de 25 estados e do Distrito Federal enfrentaram na manhã desta terça-feira (15/08) falta de luz, que afetou o transporte público, o trânsito e o funcionamento de órgãos públicos em diversas cidades.
Em nota, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) comunicou a interrupção de 16 mil MW de carga em razão de uma “ocorrência” às 8h31 na rede que afetou a interligação Norte-Sudeste e derrubou o fornecimento de eletricidade em estados nas cinco regiões do país – à exceção de Roraima, que não está interligado ao sistema nacional.
Segundo informações do Ministério de Minas e Energia, até as 10h22 o fornecimento já havia sido totalmente restabelecido nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. Já as regiões Norte e Nordeste estavam, até as 12h30, com 41% e 85% da carga recomposta, respectivamente. Mais tarde, às 14h30, a pasta informou que o sistema nacional de energia havia sido restabelecido, “restando ajustes pontuais a serem realizados pelas distribuidoras em algumas cidades”.
As causas do problema ainda estão sendo investigadas, mas o ONS afirma que a interrupção do abastecimento de energia no Sul e no Sudeste foi uma “ação controlada” para evitar que o problema se espalhasse.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou a criação de um grupo de trabalho para apurar o episódio, formado por representantes do ministério, do ONS e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Silveira estava no Paraguai para a posse do novo presidente do país, Santiago Peña, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois países compartilham a administração da usina hidrelétrica de Itaipu. Pela plataforma X, antigo Twitter, o ministro anunciou seu “retorno imediato”.
Oposição tenta desgastar Lula, e esquerda cita privatização da Eletrobras
Líderes da oposição reagiram ao apagão criticando o governo Lula. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) associou a falta de luz à chegada de um “governo do apagão” ao Palácio do Planalto, além de citar o aumento do preço da gasolina, anunciado nesta terça pela Petrobras.
Nogueira preside o PP, mesmo partido do presidente da Câmara, Arthur Lira, que atualmente negocia a adesão à base governista. “O Brasil voltou! Voltou ao Apagão!”, escreveu o senador no X, antigo Twitter.
Apagão no Brasil! Aconteceu hoje, mas comecar, começou em 01 de janeiro. O Brasil voltou! Voltou ao Apagão! A gasolina, lembra? Subiu hoje 0,41 para as distribuidoras. O apagão da BR! Governo do Apagão!
— Ciro Nogueira (@ciro_nogueira) August 15, 2023
Senador e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro (União Brasil-PR) também teceu críticas semelhantes às que já circulavam nas redes sociais entre apoiadores de Bolsonaro, citando além do apagão e do aumento “abrupto” da gasolina e do diesel a décima queda consecutiva no Ibovespa, a pior sequência do tipo desde 1984.
Do outro lado do espectro político, governistas sugeriram que o apagão poderia estar relacionado à privatização da Eletrobras, levada a cabo pelo governo Bolsonaro em 2022. Declarações nesse sentido foram feitas nas redes sociais pela primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, pelo senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), e pelo deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) – este último associou o apagão a demissões na esteira da privatização.
Você sabe o que pode estar por trás do apagão de hoje?
— Glauber Braga (@Glauber_Braga) August 15, 2023
Glauber fala sobre o assunto! #equipe pic.twitter.com/tQs4tZfNut
“A conta da privatização irresponsável da Eletrobras chegou: apagão em 25 estados e no DF”, escreveu Rodrigues no X. “No Brasil, vimos hoje o infeliz resultado da venda da Eletrobras a preço de banana no governo Bolsonaro, que comprometeu a segurança energética do nosso país!”