A tensão entre Estados Unidos e Brasil ganhou novos contornos nesta segunda-feira, após o governo de Donald Trump emitir um novo alerta oficial ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal. A nota da Casa Branca, divulgada em tom duro, aponta diretamente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, às vésperas da decisão da Procuradoria-Geral da República que pode levar à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado.
Segundo fontes diplomáticas em Washington, o governo americano considera “extremamente preocupante” o avanço do processo contra Bolsonaro, e vê sinais de “instrumentalização política da Justiça brasileira para perseguir adversários ideológicos”. Trump teria determinado pessoalmente que qualquer condenação contra seu aliado será interpretada como uma “ofensa direta à democracia e aos interesses dos EUA na América Latina”.
Na nova nota oficial, o subsecretário Darren Beattie disse que o presidente dos EUA “impôs consequências há muito esperadas contra o Supremo Tribunal de (Alexandre de) Moraes e ao governo Lula por seus ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio com os EUA”.
O texto diz ainda que os EUA estarão “acompanhando de perto” os desdobramentos no Brasil.
“Tais ataques são uma vergonha e estão muito abaixo da dignidade das tradições democráticas do Brasil”, diz a nota.
Beattie é subsecretário para Diplomacia Pública da Secretaria de Estado dos EUA, órgão que equivale ao Ministério das Relações Exteriores. É a secretaria responsável pelas relações diplomáticas e pela facilitação de negócios com outros países, incluindo o Brasil.
President Trump sent a letter imposing long-overdue consequences on de Moraes' supreme court and Lula's government for their attacks on Jair Bolsonaro, freedom of expression, and American trade.
— Senior Official for Public Diplomacy (@UnderSecPD) July 14, 2025
Such attacks are a disgrace and fall well below the dignity of Brazil's democratic… pic.twitter.com/jmwJbGDrpR
O recado caiu como uma bomba no cenário político nacional. No Congresso, parlamentares de oposição acusaram o governo Lula e o STF de provocarem uma crise internacional sem precedentes. Já entre os aliados do governo, o discurso é de que o Brasil “não aceitará ameaças externas” e que a Justiça seguirá soberana em suas decisões.
A expectativa agora se volta para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que deve apresentar seu parecer sobre o caso de Bolsonaro nos próximos dias. A decisão pode acender um novo estopim em uma crise diplomática já em ebulição.
Analistas alertam que a escalada entre os dois países pode abalar acordos comerciais, travar investimentos e empurrar o Brasil para uma posição de maior isolamento internacional — tudo isso em um momento de instabilidade fiscal, desemprego crescente e queda de popularidade do governo Lula.

