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Greve de caminhoneiros é oficializada e ameaça parar o Brasil a partir de quinta

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O movimento dos caminhoneiros deu um passo concreto rumo a uma nova paralisação nacional. Em Brasília, o líder da categoria Francisco Dalmora Burgardt, o Chicão Caminhoneiro, confirmou que já foi protocolado o documento que dá sustentação jurídica à greve geral convocada para começar na próxima quinta-feira, 4 de dezembro. A expectativa das lideranças é de que a mobilização ganhe dimensão nacional e volte a pressionar o governo em pleno cenário de crise econômica e política.

Segundo Chicão, o protocolo foi apresentado com o apoio do ex-desembargador Sebastião Coelho, que se comprometeu a prestar assistência jurídica durante todo o movimento. A ideia é oferecer respaldo aos motoristas que aderirem à paralisação e tentar blindar a categoria de decisões judiciais que, em anos recentes, passaram a enquadrar bloqueios de rodovias como atos passíveis de multa pesada e até prisão.

Os organizadores afirmam que a categoria está sufocada por uma combinação explosiva: diesel caro, frete defasado, pedágios altos, insegurança nas estradas e custo de vida em disparada. A percepção entre caminhoneiros autônomos é de que o governo prioriza arrecadação e interesses de grandes grupos, enquanto abandona quem depende do frete para sobreviver. Também pesam o desgaste com o Judiciário e a sensação de que qualquer tentativa de protesto é rapidamente criminalizada.

A greve anunciada para o dia 4 é apresentada como “paralisação por tempo indeterminado”, com foco em pontos estratégicos de rodovias federais e estaduais, centros de distribuição e pátios de empresas. Lideranças falam em mobilizações pacíficas, mas admitem que o objetivo é atingir a logística do país a ponto de obrigar o governo a sentar à mesa.

O temor de empresários e autoridades é de que se repita, em alguma escala, o que ocorreu em 2018, quando uma paralisação de dez dias provocou desabastecimento de combustíveis, falta de alimentos em supermercados, cancelamento de voos e impacto direto no PIB brasileiro. Naquele ano, a greve parou o país e obrigou o governo a conceder subsídios bilionários ao diesel e uma tabela mínima de frete, com custo estimado em dezenas de bilhões de reais para a economia.

Desta vez, entidades mais tradicionais do setor ainda adotam cautela e não falam em adesão automática ao movimento liderado por Chicão. Há divisão entre sindicatos e cooperativas, que temem novas perdas de renda se a paralisação se prolongar. Mesmo assim, o simples fato de a greve estar oficialmente protocolada e contar com apoio jurídico reacende o alerta: se a convocação ganhar corpo nas bases, o Brasil pode voltar a sentir, já nos próximos dias, o peso de uma categoria que ainda tem força para parar o país.