Para o Brasil, Fernando Haddad é um desastre. Mas para o Paraguai, ele é um presente. E não é força de expressão: poucas figuras em Brasília fizeram tanto para empurrar empresários, investidores e empresas brasileiras para fora do país quanto o ministro da Fazenda.
Enquanto o governo insiste em tratar quem empreende como suspeito e quem investe como “rico que precisa pagar mais”, a economia real responde do único jeito possível: indo embora. Capital não tem partido. Capital tem instinto de sobrevivência. E quando o Estado vira uma máquina de sufocar produção, punir o lucro e taxar tudo o que é possível, o dinheiro busca oxigênio em outro lugar.
E aí entra o Paraguai.
Com um sistema tributário simples, custo menor e regras mais previsíveis, o país virou o refúgio lógico de quem quer continuar produzindo sem ser esmagado. O famoso modelo “10-10-10” virou símbolo disso: imposto corporativo, imposto de renda e IVA em patamares bem mais baixos do que os brasileiros, além de incentivos industriais que fazem o Brasil parecer uma armadilha burocrática.
O resultado já aparece nos dados. O regime de maquila, que atrai indústrias para produzir e exportar com carga tributária reduzida, já é dominado por empresas brasileiras: 180 das 248 maquiladoras estrangeiras instaladas no país são do Brasil — cerca de 72% do total. Ou seja: não é um caso isolado, não é “moda”. É tendência consolidada. O empresariado brasileiro está votando com os pés.
E quando a empresa muda, o empreendedor muda junto. Em 2025, o Paraguai registrou 23.526 pedidos de residência feitos por brasileiros, disparado o maior número entre os estrangeiros. Isso não acontece por acaso. A fuga não é só de CNPJ, é de gente real — gente que cansou de trabalhar no Brasil e ser tratada como inimiga pelo próprio Estado.
No fundo, é simples: o Brasil de Haddad se tornou um país onde investir virou risco, crescer virou culpa e lucrar virou pecado. Tudo é imposto, fiscalização, ameaça de mudança de regra, aumento de carga, insegurança jurídica e discurso pronto para justificar mais arrecadação. O governo não quer um país produtivo. Quer um país dependente, domesticado e girando eternamente em torno do Estado.
Aí o Paraguai faz o óbvio: abre a porta, oferece previsibilidade e colhe os frutos.
Por isso a frase faz tanto sentido. Para o Brasil, Haddad é um péssimo ministro. Mas para o Paraguai, ele é ótimo. O Paraguai não poderia ter um ministro da economia melhor do que Fernando Haddad — porque foi ele quem ajudou a transformar o país vizinho no destino natural de quem ainda quer trabalhar, investir e crescer sem ser esmagado.

