O jornalista venezuelano Casto Ocando, conhecido por denúncias contra o chavismo, afirmou em seu programa que um grupo importante de generais ligados ao regime de Nicolás Maduro estaria preparando um “plano de fuga” para o Brasil. Segundo ele, esses oficiais estariam ajustando documentos e movimentando contas bancárias para enviar familiares ao território brasileiro, sob a proteção política do governo Lula, antes de eles mesmos se translatarem para cá em caso de colapso do regime em Caracas.
De acordo com Ocando, a articulação envolveria militares de alta patente, próximos ao ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, um dos pilares do chavismo desde a era Hugo Chávez. A prioridade, segundo o jornalista, seria garantir a segurança de esposas e filhos em solo brasileiro, considerada uma espécie de “retaguarda” caso a situação interna na Venezuela saia do controle – seja por pressão popular, racha nas Forças Armadas ou eventual intervenção externa.
Até o momento, não há confirmação oficial dessas informações por parte dos governos do Brasil ou da Venezuela. Tampouco organismos internacionais ou grandes agências de notícia verificaram de forma independente a existência desse plano. As declarações de Ocando, no entanto, ganharam forte repercussão nas redes sociais e reforçam a percepção, já disseminada entre opositores do chavismo, de que parte da cúpula militar estaria mais preocupada em salvar seu patrimônio do que em defender o país que diz representar.
O ponto que preocupa analistas críticos ao governo Lula é a escolha do Brasil como possível destino preferencial de agentes ligados a um regime acusado de violar direitos humanos, fraudar eleições e se associar ao narcotráfico. Desde o início do mandato, o petista reaproximou Brasília de Caracas, reabilitou diplomaticamente Maduro e tem evitado condenações mais duras à ditadura venezuelana, sob o argumento de “diálogo” e “soberania”. Nesse contexto, qualquer sinal de que o país possa servir de abrigo para a elite chavista acende um alerta sobre o rumo da política externa brasileira.
Caso as denúncias se confirmem, o Brasil corre o risco de ser visto não como um porto seguro para o povo venezuelano que foge da miséria e da repressão, mas como refúgio para generais e dirigentes que sustentaram o narco-regime por décadas. Até lá, as revelações de Casto Ocando permanecem como um forte sinal de desgaste interno do chavismo – e um teste para o governo Lula, que terá de explicar até que ponto está disposto a abrir as portas do país aos aliados de Nicolás Maduro.

