A fala de Lula em Catalão, Goiás, ultrapassou a fronteira da crítica política e entrou em um terreno perigoso. Ao questionar “o que merecem os traidores da pátria?” enquanto citava o enforcamento de Joaquim Silvério dos Reis, o presidente da República usou uma referência histórica de punição extrema para atacar seus opositores políticos.
Em qualquer democracia séria, esse tipo de declaração deveria causar preocupação imediata. Quando um chefe de Estado chama adversários de “traidores da pátria” e associa esse discurso à ideia de enforcamento, o problema deixa de ser apenas retórico. A fala carrega um peso autoritário incompatível com o cargo que Lula ocupa.
A história mostra que regimes autoritários sempre começaram tratando opositores como inimigos da nação. Stalin, Hitler e outros ditadores usaram exatamente essa lógica: desumanizar adversários, acusá-los de traição e justificar perseguições em nome de um suposto bem maior.
No caso brasileiro, a declaração ganha ainda mais gravidade porque ocorre em meio a um ambiente político já marcado por censura, perseguições judiciais, bloqueios de redes sociais e tentativas constantes de criminalizar a direita.
Lula pode discordar de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou qualquer outro opositor. Pode criticá-los politicamente. O que não pode é usar a cadeira da Presidência para flertar com uma linguagem de eliminação simbólica contra quem pensa diferente.
O Brasil não precisa de um presidente que trate adversários como traidores a serem punidos. Precisa de um governo que respeite a democracia, a oposição e os limites institucionais. Quando o próprio presidente normaliza esse tipo de fala, o alerta precisa ser ligado.
