O Brasil registrou, em 2024, o maior nível de carga tributária em relação ao PIB desde o início da série histórica da Receita Federal. Pelos cálculos do órgão, a carga chegou a 32,2% do PIB, acima dos 30,2% observados em 2023. Mesmo após a Receita atualizar a metodologia do levantamento — excluindo contribuições destinadas ao FGTS e ao Sistema S, que são tributos pagos pelas empresas — o resultado ainda aparece como recorde desde 2002.
Na prática, porém, o recorde não significa um Estado mais eficiente — significa mais peso no bolso do cidadão, sobretudo de quem tem menos. No recorte feito pela Receita, a população de menor renda foi responsável por R$ 1,64 trilhão em impostos em 2024, o equivalente a 14% do PIB, representando 43,5% de toda a carga tributária cobrada no período.
O dado expõe uma distorção histórica do sistema brasileiro: a arrecadação se concentra em impostos sobre consumo, embutidos em alimentos, energia, gás, transporte e itens essenciais. Como o mais pobre gasta uma parcela maior da renda no básico, ele acaba pagando, proporcionalmente, mais imposto do que quem está no topo. É o “imposto no prato”, o “imposto na conta de luz”, o “imposto no ônibus”.
Enquanto a máquina pública segue crescendo e a arrecadação bate recordes, o retorno em serviços permanece aquém do que se cobra. O resultado é um país em que o Estado cobra como se fosse de primeiro mundo — e entrega como se fosse de terceiro. Para quem vive no limite, a carga tributária deixou de ser estatística e virou sufoco diário.

