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Mão de ferro: ‘guerra comercial’ entre EUA e China deve ser intensificada em 2025, notam analistas

O ano de 2025 já tem caminhos predeterminados no cenário geopolítico — como a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA —, mas os desdobramentos ainda são uma incógnita.

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Donald Trump tomará posse como presidente dos EUA no dia 20 de janeiro. A troca no Poder Executivo da maior potência mundial mexe com o xadrez da geopolítica internacional.

Com o republicano, por exemplo, é esperado um governo voltado para a política doméstica, com um viés protecionista, conforme os analistas.


“Uma das coisas que a gente pode esperar é um aprofundamento de uma política nacionalista e mais protecionista em termos de economia no governo americano, principalmente com aquele foco que o Trump dá, que é o do America First”, diz Fernanda Nanci Gonçalves, professora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Segundo Gonçalves, outras medidas prometidas por Trump ainda durante a campanha presidencial — como a intensificação do controle migratório — podem se tornar uma realidade agora. Além disso, o presidente eleito deve encontrar um cenário mais brando para governar que em seu primeiro mandato, uma vez que terá maioria no Congresso.

“Talvez ele tenha mais facilidade para governar agora, porque ele está com maioria no Congresso, então acho que ele vai ter uma administração mais alinhada a ele, e isso também pode fazer com que ele passe algumas das suas medidas com mais facilidade, algumas das suas propostas”, comenta.

Para Guilherme Frizzera, doutor em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do curso de relações internacionais do Centro Universitário Internacional Uninter, Trump pode trazer ainda questões pessoais para o seu governo, motivado por vingança.

“Ele já disse que no primeiro dia do mandato dele ele vai atuar até como um líder autoritário, e se espera que no primeiro dia ou nos primeiros dias ele conceda perdão a si mesmo, aos seus filhos e a todos os envolvidos naquela tentativa de invasão ao Capitólio. […] Isso que se espera no campo pessoal, um Donald Trump focado em vingança, nas palavras do próprio.”

Já no âmbito das relações internacionais, os especialistas destacam a possível intensificação da “guerra comercial” entre os EUA e a China.

Esse é o verdadeiro grande conflito pelo qual o mundo passa há muitos anos“, diz Frizzera, ressaltando que medidas como o aumento de restrições a produtos de alta tecnologia da China — carros elétricos chineses, por exemplo, não são permitidos nos Estados Unidos —, mostram que “os interesses dos grandes empresários americanos que apoiam Donald Trump estarão interligados ao seu comportamento de política externa”.

Por outro lado, Gonçalves relembra que os chineses já deixaram claro que são capazes de responder a essa guerra comercial.

“Foi falado agora, há pouco tempo, por parte do governo chinês, que, se necessário, eles vão também controlar exportações de alguns produtos que são utilizados pelos Estados Unidos para produzir tecnologia que tem alto valor agregado”, pontua.

Acordo entre Mercosul e UE: quando entrará em vigor?

Sobre a parceria comercial entre os blocos firmada no ano passado, mas ainda não sendo unanimidade entre os líderes dos países da União Europeia (UE), ainda pode demorar a ser implementada, de acordo com os analistas.

Para Guilherme Frizzera, doutor em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do curso de relações internacionais do Centro Universitário Internacional Uninter, Trump pode trazer ainda questões pessoais para o seu governo, motivado por vingança.

“Ele já disse que no primeiro dia do mandato dele ele vai atuar até como um líder autoritário, e se espera que no primeiro dia ou nos primeiros dias ele conceda perdão a si mesmo, aos seus filhos e a todos os envolvidos naquela tentativa de invasão ao Capitólio. […] Isso que se espera no campo pessoal, um Donald Trump focado em vingança, nas palavras do próprio.”

Já no âmbito das relações internacionais, os especialistas destacam a possível intensificação da “guerra comercial” entre os EUA e a China.

Esse é o verdadeiro grande conflito pelo qual o mundo passa há muitos anos“, diz Frizzera, ressaltando que medidas como o aumento de restrições a produtos de alta tecnologia da China — carros elétricos chineses, por exemplo, não são permitidos nos Estados Unidos —, mostram que “os interesses dos grandes empresários americanos que apoiam Donald Trump estarão interligados ao seu comportamento de política externa”.

Por outro lado, Gonçalves relembra que os chineses já deixaram claro que são capazes de responder a essa guerra comercial.

“Foi falado agora, há pouco tempo, por parte do governo chinês, que, se necessário, eles vão também controlar exportações de alguns produtos que são utilizados pelos Estados Unidos para produzir tecnologia que tem alto valor agregado”, pontua.

Acordo entre Mercosul e UE: quando entrará em vigor?

Sobre a parceria comercial entre os blocos firmada no ano passado, mas ainda não sendo unanimidade entre os líderes dos países da União Europeia (UE), ainda pode demorar a ser implementada, de acordo com os analistas.

Para Gonçalves, trata-se de um momento significativo, sim, de discussões internacionais sobre transição energética, sobre financiamento climático.

“Pela primeira vez a gente vai ter uma Conferência das Partes que vai discutir mudança climática sediada na Amazônia, que é uma das regiões mais emblemáticas para a gente discutir qualquer questão de meio ambiente a nível global”, ressalta.

A professora destaca, ainda, o protagonismo que o Brasil vai recuperando na agenda climática, “completamente enfraquecido durante o governo do [Jair] Bolsonaro”.

Frizzera, por sua vez, afirma que a COP30 terá um peso muito maior que a COP29, realizada no ano passado, no Azerbaijão. Segundo ele, a política ambiental faz parte da identidade da diplomacia brasileira.

“É um contorno que quase que nasce conjuntamente com a redemocratização do Brasil. Começando lá pela ECO-92, que no século XX possivelmente foi o maior encontro internacional que o Brasil recebeu na sua história no século XX”, completa o pesquisador.