Microrganismos do nosso planeta poderiam sobreviver em corpos celestes onde há água, como Marte, aponta uma pesquisa do doutorando Tommaso Zaccaria, após experimentos com condições espaciais simuladas.
O nosso sistema imunológico reage de forma menos eficaz aos agentes patogênicos que tenham passado por uma viagem espacial simulada, avança Phys.org.
O pesquisador Tommaso Zaccaria, do Centro Médico da Universidade de Radboud, nos Países Baixos, investigou se microrganismos terrestres podem sobreviver em outros locais do Sistema Solar. Ele concentrou sua pesquisa na Lua, em Marte e nas luas geladas de Júpiter e Saturno porque a água está presente nesses locais.
“Há evidências de que fontes termais já existiram em Marte, e que aminoácidos e compostos à base de carbono estão presentes. Em alguns lugares, as temperaturas podem chegar a agradáveis 20°C. Tudo isso é favorável para a vida”, afirmou Zaccaria.
O cientista recriou as condições desses locais extraterrestres no Centro Aeroespacial Alemão (DLR), expondo organismos a altas doses de radiação, desidratação e congelamento.
Vários microrganismos que vivem em ambientes extremos na Terra – como próximos de vulcões e na Antártica – provaram ser altamente adaptáveis.
Além disso, Zaccaria estudou vários patógenos humanos bem conhecidos, como a bactéria Klebsiella pneumoniae, que pode causar pneumonia. Ele observou que esses patógenos encolheram após uma viagem simulada a Marte, mas sobreviveram. Em experimentos de laboratório, as células imunológicas do sangue humano responderam com menos intensidade a esses patógenos encolhidos.
Os astronautas também devem ter cuidado com a poeira da Lua e de Marte. Zaccaria usou amostras de material simulado que se assemelha à superfície desses corpos celestes e comparou seus efeitos nos pulmões com os da areia da Terra.
“Observamos que o material de Marte, e ainda mais o da nossa Lua, danifica a camada protetora dos pulmões e causa infecções. O material da Terra não”, concluiu o pesquisador.

