O depoimento do tenente-coronel Mauro Cid aos agentes federais pode agravar a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos generais e ex-ministros Augusto Heleno e Walter Braga Netto.
É o que aponta uma fonte ouvida pelo blog da jornalista Andrea Sadi, do g1. Cid passou por dois extensos depoimentos na sede da Polícia Federal em Brasília nos últimos dias. Na sexta-feira (25) ele passou seis horas na sede prestando depoimento. Na segunda-feira, o depoimento durou dez horas.
Segundo a fonte, em seu depoimento Cid aborda o roteiro da tentativa de ruptura institucional, que veio à tona em junho, com a descoberta de uma minuta para decretação de Garantia da Lei e da Ordem, no caso de derrota de Bolsonaro no pleito. A minuta foi encontrada pela PF em uma vistoria no celular apreendido de Cid e previa ações para desconstruir a ordem democrática.
O depoimento de Cid pode detalhar os nomes dos militares e ex-ministros envolvidos nas tratativas, bem como a localidade em que ocorreram as conversas. Segundo o blog, os nomes citados nos bastidores são os de Augusto Heleno, ex-ministro Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Bolsonaro, e de Walter Braga Neto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.
Cid também falou sobre a venda ilegal de joias presenteadas ao governo brasileiro durante a gestão Bolsonaro. Ademais, Cid também deve abordar o encontro da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e Bolsonaro com o hacker Walter Delgatti Netto.
Em depoimento à CPI que investiga os atos de 8 de janeiro, Delgatti afirmou que Bolsonaro o questionou sobre a possibilidade de grampear o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e promover uma operação fake nas urnas para simular a impressão de um voto falso. A PF quer saber se Cid teve participação ativa nas tratativas com o hacker.
Na última terça-feira (29), a Advocacia do Senado Federal autorizou os investigados pela CPI a fechar acordo de delação premiada. Porém, até o momento, ainda não há indício de que um acordo será oferecido a Cid.
