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Nicarágua aumenta restrições à liberdade e à atuação da igreja

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O mesmo governo que anunciou recentemente que não realizará mais eleições presidenciais na Nicarágua é o mesmo que tem ampliado a repressão contra igrejas, líderes religiosos e organizações cristãs no país. As informações são da organização Portas Abertas, que alerta para o aumento das restrições à liberdade religiosa e aos direitos humanos sob o governo do presidente Daniel Ortega.

Segundo a organização, o endurecimento das medidas também atingiu jornalistas, advogados, organizações da sociedade civil e grupos religiosos. O espaço para a atuação dessas instituições ficou mais limitado, enquanto aumentaram os relatos de vigilância, intimidação e perseguição a quem faz críticas ao governo.

A Lista Mundial da Perseguição 2026, divulgada pela Portas Abertas, coloca a Nicarágua na 32ª posição entre os 50 países onde os cristãos enfrentam mais perseguição por causa da fé. De acordo com a entidade, o avanço do controle estatal sobre instituições independentes contribuiu para o agravamento desse cenário.

Cristãos que denunciam violações de direitos humanos ou defendem publicamente a liberdade e a justiça podem enfrentar vigilância, assédio, detenções, exílio e até perda da cidadania. Igrejas, escolas cristãs e entidades de assistência social também passaram a ser alvo de restrições, fechamento de instituições e confisco de bens.

A repressão alcança diretamente líderes religiosos. Pastores e outros representantes das igrejas são monitorados, presos ou impedidos de exercer livremente o ministério. Em diversos casos, as ações do governo provocaram o deslocamento de famílias e reduziram a presença de comunidades cristãs em diferentes regiões do país.

Entre as medidas mais recentes apontadas pela Portas Abertas está a restrição à entrada de Bíblias por vias terrestres. A entidade afirma que a decisão dificulta o acesso à literatura cristã e prejudica atividades de ensino bíblico, discipulado e assistência espiritual. A medida se soma ao fechamento de milhares de organizações da sociedade civil desde 2018, incluindo entidades ligadas às igrejas.

Relatos reunidos pela organização indicam que religiosos e voluntários envolvidos em projetos educacionais e humanitários também enfrentam pressão das autoridades. O ambiente de vigilância levou muitas igrejas a reduzir a exposição pública de suas atividades por receio de represálias.

Apesar das dificuldades, líderes religiosos continuam prestando apoio espiritual e assistência social às comunidades. Para a Portas Abertas, o aumento das restrições às liberdades civis e religiosas reforça o apelo por respeito aos direitos humanos, à liberdade de fé e à proteção da população nicaraguense.