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No mês do Orgulho LGBT+, motel de Campo Grande insiste em práticas homofóbicas

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A rede de motéis Brylhante, na capital de Mato Grosso do Sul, tem motivado uma série de reclamações pelo público gay devido a suas práticas preconceituosas. Diversos relatos vêm ocorrendo desde ao menos o ano passado, ao longo do mês do Orgulho de 2025, e perduram.

Casais LGBT+ que vão aos motéis da rede reclamam do tom homofóbico do atendimento desde o momento em que chegam à portaria. São enviados a quartos em que controles remotos, TV, condicionador de ar, torneiras, duchas higiênicas, playlists e outros aparatos não funcionam. E são sabotados nas contas. A intenção é que paguem 3 horas, mas usufruam pouco para “ir embora cedo, de forma a não afastar a clientela heterossexual”.

“A sensação é de total falta de segurança no motel Brylhante. Logo que entramos, precisamos interfonar para a portaria porque nada funciona no quarto. Não demora e começam a fazer ameaças constantes de chamar a polícia para nos remover da suíte. Nos tratam muito mal. Como se não fôssemos clientes pagantes como o restante dos hóspedes, apesar de termos tickets de consumo bem altos. Parece um pesadelo. Corta qualquer clima” – explica um cliente gay.

Funcionária Kátia que se identifica como “Raimunda”.

Ainda segundo relatos, vídeos gays também são expressamente proibidos no local – ao passo que vídeos heterossexuais tocam livremente nos televisores. Além disso, os parceiros LGBT+ que chegam separadamente ao local são impedidos de entrar, sob a desculpa de que “hóspedes não podem receber pessoas”, “porque não estão na casa deles e incomodam [os heterossexuais]”.

Assim, o atendimento no motel Brylhante veio como um choque para os inúmeros visitantes LGBT+, do Brasil e de outros países, que Campo Grande recebeu durante o mês do Orgulho.

Segundo outros relatos, os atendentes da recepção – que se identificam por nomes falsos – frequentemente dizem que os ocupantes LGBT+ precisam ir embora devido a “erros do sistema que impedem o motel de registrar pernoites”. Isso mesmo apesar de os pernoites terem sido combinados de antemão. Esses funcionários, então, ameaçam chamar a polícia. Além disso, mentem que “o motel está lotado” ou “sob manutenção” quando clientes LGBT+ chegam.

“É visível que é mentira, que o motel está funcionando perfeitamente bem para os heterossexuais” – reclama uma cliente lésbica.

Outro cliente reclama de ter de deixar clientes heterossexuais serem atendidos na frente, na portaria do motel Brylhante: “Na portaria, pedem para darmos a vez. Ficamos expostos na rua como se fôssemos pessoas inferiores. Como se estivéssemos pedindo o favor de ser atendidos no motel. É humilhante”.