Search

Rei e Rainha do Fundão: Ana Portela e Rafael Tavares Lideram Repasse de R$500 Mil no PL

Compartilhe nas redes sociais

A distribuição de recursos do fundo eleitoral tem chamado atenção em Campo Grande, especialmente no Partido Liberal (PL). Entre os candidatos à Câmara Municipal, dois nomes se destacam como os maiores beneficiários do chamado “fundão”: Ana Portela, filha do presidente estadual do partido, Tenente Portela, e o ex-deputado federal Loester Trutis. Ambos receberam R$ 300 mil cada, destacando-se entre os 30 postulantes do PL na capital.

Ana Portela: A Rainha do Fundão

Candidata a vereadora em Campo Grande, Ana Portela é, além de filha do Tenente Portela, presidente do diretório do PL em Mato Grosso do Sul, a responsável pelo PL Mulher na cidade. Seu status privilegiado dentro do partido explica o montante expressivo de recursos que recebeu: R$ 300 mil da direção nacional do partido.

No total, a candidata acumulou R$ 310 mil em repasses e doações de campanha. Além do valor repassado pelo partido, Ana também recebeu uma doação de R$ 10 mil do empresário e produtor rural Jovani Batista da Silva. Curiosamente, Jovani foi citado nas investigações sobre o suposto atentado contra o ex-deputado Loester Trutis, o que traz à tona mais uma controvérsia ao redor da campanha da candidata.

O privilégio no tratamento a Ana, no entanto, tem causado desconforto entre outros membros e candidatos do PL, que questionam a disparidade na distribuição dos recursos do fundo eleitoral.

Loester Trutis: Rei e Réu

Empatado com Ana no valor recebido está Loester Trutis, ex-deputado federal e atualmente réu em um processo criminal que investiga uma falsa comunicação de atentado contra ele próprio, ocorrido em 2020. Trutis, que ganhou notoriedade nacional pelo seu posicionamento político agressivo e conservador, também foi contemplado com R$ 300 mil do diretório nacional do PL, presidido por Waldemar Costa Neto, condenado no escândalo do Mensalão.

A situação de Trutis gera incômodo dentro e fora do partido, especialmente por ele ser um dos maiores beneficiários de um recurso que, em teoria, deveria ser distribuído de forma mais equilibrada entre os candidatos do PL.

Rafael Tavares: Rei e amigo do Rei

Logo atrás de Ana Portela e Loester Trutis no ranking dos maiores recebedores do fundo eleitoral do PL está o ex-deputado estadual cassado Rafael Tavares, com R$ 200 mil destinados à sua campanha. Tavares, que sempre se destacou por seu discurso combativo e sua postura crítica em relação ao uso do fundo eleitoral, agora enfrenta sérias críticas dentro de sua própria base de apoio.

A situação de Tavares se complica pelo fato de ele já ter se posicionado publicamente contra o uso de verba pública para campanhas, o que torna o recebimento de R$ 200 mil do fundo eleitoral uma contradição aos seus princípios anteriormente defendidos. Além disso, o ex-deputado tem enfrentado questionamentos sobre um episódio envolvendo um assessor que, enquanto estava em seu gabinete, recebia verba publicitária da Assembleia Legislativa.

A base bolsonarista que sempre o apoiou tem demonstrado insatisfação com sua postura recente, especialmente pelo silêncio de Tavares em relação à candidatura de Beto Pereira, do PSDB. Fontes ligadas à campanha afirmam que o apoio de Tavares a Beto Pereira e ao grupo tucano está acontecendo de forma velada, nos bastidores, o que estaria explicando sua omissão pública sobre o apoio de seu partido a um grupo político que, no passado, ele fazia questão de combater.

Essa postura contraditória tem levado a uma debandada de apoiadores, que não veem mais em Tavares o representante conservador de outrora.

O Impacto das Contradições nas Campanhas

A distribuição desigual do fundo eleitoral no PL e as contradições entre o discurso público e as ações de figuras como Rafael Tavares e Loester Trutis têm enfraquecido a confiança de muitos eleitores no partido. Enquanto Ana Portela continua desfrutando do privilégio de ser filha de uma das figuras mais poderosas do PL em Mato Grosso do Sul, outros candidatos do partido veem com preocupação a concentração de recursos em torno de poucos nomes.

A pressão dentro da base bolsonarista também deve aumentar, especialmente se Rafael Tavares continuar a evitar um posicionamento claro sobre a aliança do PL com o PSDB. Com as eleições se aproximando, a expectativa é de que esses fatos impactem diretamente o desempenho de alguns candidatos nas urnas, principalmente aqueles que tentam se manter fiéis aos princípios que outrora defendiam publicamente.

Em meio a essas disputas, o eleitorado de Campo Grande observa atentamente os desdobramentos, esperando coerência e clareza nas posturas dos candidatos que dizem representar a mudança e o conservadorismo na política local.