Ana Cristina Silveira, presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) desde abril, promoveu Michelli Manieri para o cargo de coordenadora-geral de atendimento do instituto. O ato, um dos primeiros da nova gestão foi visto como controverso. Isso porque Michelli havia perdido uma função de confiança no âmbito do escândalo do INSS, em 2023.
A servidora era responsável por coordenar o grupo que fiscalizava acordos para desconto de mensalidades associativas.
Na função, Michelli autorizou pareceres favoráveis à celebração de acordos com a Ambec (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos) e a AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil), ao lado do então servidor Geovani Batista Spiecker, apontado pela Polícia Federal como um dos responsáveis por viabilizar a retomada dos descontos considerados irregulares.
O nome de Michelli Manieri também aparece em relatório paralelo da CPMI do INSS, que a cita como responsável por assinar estudos e notas técnicas que concluíram pela viabilidade operacional das entidades, apesar de ressalvas identificadas em auditorias.
Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal apontam que a entidade chegou a registrar média de 846 novas filiações de beneficiários por hora. Já a AAPB teria apresentado mais de 46 mil associados sem termos de adesão assinados, mas ainda assim recebeu parecer favorável de técnicos do INSS, entre eles Manieri.
Em nota, o INSS afirmou que todos os servidores de carreira nomeados passaram por verificações internas, além de análises da CGU e do governo federal, sem registros de penalidades em vigor ou processos acusatórios em andamento. Segundo o instituto, não existe qualquer impedimento legal ou irregularidade na nomeação da servidora.
