O Sudão do Sul realizará, no dia 22 de dezembro, as primeiras eleições gerais de sua história, após sua independência em 2011, anunciou nesta segunda-feira (22) a Comissão Eleitoral Nacional (NEC, na sigla em inglês), após vários adiamentos e anos de transição política.
– A comissão deliberou amplamente sobre as eleições, conforme estipulam o Acordo de Paz e a Lei Eleitoral Nacional. Portanto, as eleições serão realizadas em 22 de dezembro de 2026 e pedimos a todas as partes interessadas que se preparem para este importante exercício nacional – declarou o presidente da NEC, Abednego Akok Kachuol, em entrevista coletiva.
O anúncio cumpre, além disso, o requisito legal de notificação com seis meses de antecedência da votação, apontou.
O chefe do órgão eleitoral admitiu que o processo ainda enfrenta “grandes desafios”, entre eles a necessidade de reformas legais pendentes, a complexa logística no terreno, a educação dos eleitores e a mobilização de recursos financeiros.
Neste sentido, pediu ao governo do presidente Salva Kiir para “acelerar a modificação das lacunas legais pendentes” e fornecer o “apoio necessário” para que a comissão possa cumprir com suas responsabilidades nos meses restantes até a data do pleito.
Além disso, Kachuol fez um apelo urgente aos cidadãos para que participem ativamente do processo, lembrando que “a soberania se exerce através do voto”.
Na semana passada, a União Europeia (UE) advertiu o governo do país mais jovem do mundo sobre o risco de seguir adiante com seu plano de realizar eleições gerais em dezembro, antes de adotar uma Constituição que ofereça uma “base jurídica e institucional sólida” ao processo.
Este pleito estava previsto inicialmente para dezembro de 2024, mas o governo de transição prorrogou o período de implementação do acordo de paz de 2018 para o final de 2026, sob o argumento de que reformas essenciais ainda precisavam ser concluídas.
Caso os prazos sejam cumpridos, a data de dezembro marcará a primeira vez que os sul-sudaneses irão às urnas como nação soberana desde que se separaram do Sudão, em 9 de julho de 2011.
As últimas eleições das quais participaram remontam a 2010, quando o território ainda era uma região semiautônoma e Kiir foi eleito líder da então administração regional do Sudão do Sul.

