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Tarcísio no radar petista

Dirceu, Haddad, Lindbergh... Os petistas não perdem uma oportunidade de falar mal do governador de São Paulo, o adversário da direita a ser contido para 2026

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Enquanto Jair Bolsonaro ainda tenta se habilitar para concorrer à presidência da República em 2026, os petistas têm demonstrado mais preocupação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos, em sua própria versão de Studio Ghibli na imagem).

Reabilitado judicialmente graças a decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro José Dirceu voltou a falar em público com frequência, e não perde uma oportunidade de mencionar o nome de Tarcísio como o adversário a ser batido.

    “O candidato da direita chama-se Tarcísio de Freitas. A elite de São Paulo já o abraçou”comentou o ex-ministro condenado pelo mensalão em ato na PUC-SP contra a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023, na segunda-feira, 31 de março.

    Marcação cerrada

    Dirceu já tinha chamado atenção para Tarcísio — e apenas para ele — em sua festa de aniversário de 70 anos, mas está longe ser o único petista a mirar publicamente no governador de São Paulo, mesmo a mais de um ano da eleição de 2026.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que pode vir a ser adversário de Tarcisio nas eleições do próximo ano tanto na disputa pela presidência da República quanto pelo governo de São Paulo, aproveitou para dar uma canelada nada gratuita no ex-ministro de Jair Bolsonaro durante evento de que os dois participaram na semana passada.

    “Para mim, esse debate é relevante. Talvez para Tarcísio não seja relevante, ser democrático ou não ser democrático, até porque eu não sei qual a opinião dele sobre a ditadura militar até hoje”, disse Haddad, que falou após o governador na Arko Conference, evento promovido pela Arko Advice e Galápagos Capital, na capital paulista.

    “Isso explica sua amizade com Bolsonaro”

    Líder do PT na Câmara, o deputado federal Lindbergh Farias (RJ) também está de olho em Tarcísio.

    “Li na imprensa que o governador Tarcísio, falando a uma plateia de investidores, criticou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Disse que o governo, ao ‘abrir mão de uma base relevante de pagantes’ e apostar ’em tributar o capital e o estoque de capital’, destrói a poupança e impede investimentos. Nas suas palavras, um ‘contrato com o fracasso’. Governador Tarcísio, essa isenção do IR vai beneficiar dezenas de milhões de brasileiros”, postou Lindbergh em seu perfil no X.

    Na descrição do líder petista, “o governador Tarcísio estava solto e falante numa platéia do mercado financeiro”“Só que acabou revelando suas posições elitistas, atrasadas e contra o povo. Isso explica sua amizade com Bolsonaro”, finalizou Lindbergh.

    O adversário

    Lindbergh também tem criticado Bolsonaro, cuja anistia tenta evitar na Câmara, e Gleisi Hoffmann, que assumiu recentemente a Secretaria de Relações institucionais, rivalizou recentemente com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), que lança sua pré-candidatura presidencial nesta semana como alternativa a Bolsonaro.

    Mas Dirceu, que cogita se candidatar a deputado federal em 2026, só fala em Tarcísio. O incômodo petista com o governador de São Paulo, que não enfrenta os problemas de popularidade de Lula, é sinal de que eles calculam que, com Bolsonaro fora do páreo, o governador de São Paulo é o adversário a ser contido.