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Tragédia na Zona da Mata: chuva mata 46 pessoas e deixa 21 desaparecidos em Minas Gerais

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Juiz de Fora e Ubá estão em luto após deslizamentos causados por temporais; entre as vítimas estão crianças, estudantes e uma técnica de enfermagem que passou mais de 15 horas sob os escombros

As cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, amanheceram em luto nesta quinta-feira após a tragédia causada pelas fortes chuvas que atingem a região. O número de mortos subiu para 46, enquanto 21 pessoas seguem desaparecidas. O clima nas duas cidades é de consternação, tristeza e medo — a chuva não dá trégua, e novos deslizamentos podem ocorrer a qualquer momento.

As vítimas

A Defesa Civil e as prefeituras municipais trabalham na identificação dos corpos e na busca por sobreviventes. Até o momento, foram identificadas as seguintes vítimas:

Em Juiz de Fora:

  • Bernardo Lopes Dutra, estudante do 7º ano do Colégio de Aplicação João XXIII (UFJF)
  • Carla Teixeira, profissional de educação do Centro de Educação a Distância (Cead/UFJF)
  • Arminda de Fátima Soa, 63 anos, moradora do bairro Esplanada
  • Maitê Cedlia Pereira Fernandes, 5 anos, aluna da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
  • Arthur Rafael de Oliveira Machado, aluno da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
  • Miguel Carlos da Silva Machado, aluno da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
  • Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza, da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
  • Kaleb Marques Reis dos Santos, aluno da Escola Municipal Batista Oliveira
  • Ramom Rafael Araújo de Almeida, aluno da Escola Municipal Batista Oliveira
  • Neuza Mageste, moradora do bairro de Lourdes
  • Deogracia Aurélia Fernandes, contratada do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb)
  • Ivana Martins de Paula, moradora da Rua Santa Clara, no bairro Costa Carvalho
  • Liana Martins de Paula, moradora da Rua Santa Clara, no bairro Costa Carvalho
  • Iara Martins de Paula, moradora da Rua Santa Clara, no bairro Costa Carvalho
  • Jaqueline de Fátima Theodoro Vicente, 32 anos, moradora do bairro Paineiras
  • Neide Aparecida, 58 anos, mãe de Jaqueline
  • Reinaldo Neiva Ferreira, 35 anos, policial penal, morador do bairro Paineiras
  • Melissa Emanuely Garcia, 2 anos
  • Fabiana Cristina Gomes, 40 anos, avó de Melissa
  • João Batista dos Santos (idade não informada)
  • Marcos José dos Santos Almeida (idade não informada)
  • Edmara Peluzo Candido, 32 anos

Em Ubá:

  • João Gonçalves Soares, 74 anos
  • Maria da Conceição Honorato Soares, 65 anos
  • Elza das Graças da Silva, 77 anos

Histórias interrompidas

Entre os casos que comoveram a região está o da técnica de enfermagem Jaqueline de Fátima Theodoro Vicente, de 32 anos. Ela foi resgatada com vida após passar mais de 15 horas soterrada nos escombros de sua casa, no bairro Paineiras, em Juiz de Fora. Chegou a ser encaminhada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

No momento do deslizamento, Jaqueline estava acompanhada dos dois filhos, da mãe, Neide Aparecida, e do companheiro. Até a última atualização, os familiares seguiam desaparecidos. Neide também está na lista de vítimas fatais identificadas.

Outra perda sentida pela comunidade acadêmica foi a de Carla Teixeira, tutora do Centro de Educação a Distância da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A universidade também lamentou a morte de Bernardo Lopes Dutra, estudante do 7º ano do Colégio de Aplicação João XXIII. Como forma de luto e respeito, a UFJF suspendeu as aulas em todos os campi até sexta-feira.

Também chamou atenção a morte do policial penal Reinaldo Neiva Ferreira, de 35 anos. Segundo relatos de vizinhos, ele tentava salvar a esposa e outros moradores de um prédio quando foi surpreendido pela lama e não conseguiu deixar o imóvel a tempo.

Risco contínuo

As autoridades locais seguem em estado de alerta. A previsão do tempo indica que as chuvas devem continuar nos próximos dias, aumentando o risco de novos deslizamentos em áreas já afetadas e em regiões de encosta. Equipes de resgate, com apoio de cães farejadores e maquinário pesado, continuam as buscas pelos desaparecidos.

Prefeituras decretaram luto oficial e mobilizam estruturas de acolhimento para desabrigados. A solidariedade da população tem se manifestado em doações de alimentos, roupas e água para as famílias atingidas.