Em meio à escalada militar no Oriente Médio, que já resulta nas primeiras baixas americanas e na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, o governo do presidente Donald Trump tenta equilibrar um discurso de força com a promessa de não se envolver em um conflito prolongado. Simultaneamente, no front doméstico, o presidente enfrenta uma ofensiva política no Congresso, onde parlamentares democratas e republicanos articulam-se para limitar sua autoridade para conduzir operações de guerra sem aval legislativo .
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o próprio presidente Trump classificaram a operação militar, denominada “Epic Fury”, como um sucesso e uma ação “decisiva” para neutralizar as ameaças representadas pelo regime iraniano . Em pronunciamento à nação, Trump adotou um tom de resolução, afirmando que os EUA “prevalecerão facilmente” e que as forças americanas continuarão a atacar até que “todos os nossos objetivos sejam alcançados” .
Apesar da retórica agressiva, a administração trata de afastar o fantasma de um conflito interminável, algo que marcou as guerras no Iraque e no Afeganistão. O próprio Trump declarou ao jornal Daily Mail que a expectativa é de que a campanha militar se estenda por aproximadamente quatro a cinco semanas . “Já estamos substancialmente à frente de nossas projeções de tempo, mas seja qual for o tempo, está tudo bem. Temos capacidade para ir muito além disso”, declarou Trump, tentando demonstrar controle sobre a duração e a intensidade da guerra .
Paralelamente aos esforços de guerra, uma batalha política se intensifica em Washington. Um grupo bipartidário de congressistas, liderado por figuras como o senador Tim Kaine (Democrata-Virgínia) e o deputado Thomas Massie (Republicano-Kentucky), está pressionando por uma votação imediata de uma “Resolução de Poderes de Guerra” . O objetivo é forçar o presidente a obter autorização explícita do Congresso para qualquer continuação ou expansão das hostilidades contra o Irã, com base na Lei de Poderes de Guerra de 1973 .
A justificativa dos parlamentares é constitucional: a Carta Magna dos EUA confere ao Legislativo, e não ao Executivo, o poder de declarar guerra. “A Constituição diz que não deveríamos estar em guerra sem um voto do Congresso”, afirmou Kaine. “Isto é importante. A vida dos nossos soldados está em risco. Nós deveríamos voltar a Washington imediatamente e votar sobre isso” .
A iniciativa, no entanto, enfrenta um caminho íngreme. Analistas apontam que, mesmo que a resolução passe pelo Senado e pela Câmara, ela quase certamente enfrentaria um veto presidencial. Para derrubá-lo, seria necessário uma maioria de dois terços em ambas as casas, um cenário considerado improvável dado o apoio da maioria dos republicanos a Trump . O senador Tom Cotton (Republicano-Arkansas) já adiantou que haverá “apoio esmagador dos republicanos eleitos no Congresso” à posição do presidente .
A divisão, no entanto, não é estritamente partidária. Enquanto a maioria dos democratas apoia a medida, figuras como o senador John Fetterman (Democrata-Pensilvânia) consideram a ação um “gesto vazio” e desnecessário. Do lado republicano, Massie argumenta que o conflito não se alinha com a política de “América Primeiro”, expondo fissuras dentro da própria base governista .
Enquanto isso, o custo humano da operação aumenta. O Pentágono confirmou a morte de quatro militares americanos nos combates, os primeiros desde o início da ofensiva no sábado . A Casa Branca programou para terça-feira uma reunião a portas fechadas com líderes do Congresso para apresentar os argumentos e os objetivos estratégicos da campanha, numa tentativa de acalmar os ânimos e garantir o apoio legislativo necessário para prosseguir com a operação sem amarras constitucionais .

